Kirsty Coventry é eleita e vai ser a primeira mulher a assumir a presidência do COI

Ex-nadadora campeã olímpica vence eleição e vai se tornar a primeira mulher e a primeira pessoa africana no cargo mais

Ex-nadadora campeã olímpica vence eleição e vai se tornar a primeira mulher e a primeira pessoa africana no cargo mais alto do Comitê Olímpico Internacional

Kirsty Coventry é a nova presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em eleição realizada nesta quinta-feira em Pilos, na Grécia, a maioria dos membros da entidade máxima do Movimento Olímpico votou para que a ex-nadadora do Zimbábue fosse eleita a substituta do alemão Thomas Bach. A campeã olímpica de 41 anos vai ser a 10ª pessoa a assumir a presidência do COI e apenas a primeira mulher em 131 anos. Coventry também vai ser a primeira pessoa da África no cargo mais alto da entidade que comanda as Olimpíadas. Ela vai ter um mandato de oito anos.

– A jovem que começou a nadar no Zimbabué há tantos anos nunca poderia ter sonhado com este momento. Estou particularmente orgulhosa de ser a primeira mulher presidente do COI, e também a primeira da África. Espero que esta votação seja uma inspiração para muitas pessoas. Os tetos de vidro foram destruídos hoje, e estou plenamente consciente das minhas responsabilidades como modelo. O esporte tem um poder inigualável de unir, inspirar e criar oportunidades para todos, e estou comprometida em garantir que aproveitemos esse poder ao máximo. Junto com toda a família olímpica, incluindo nossos atletas, fãs e patrocinadores, construiremos sobre nossas bases fortes, abraçaremos a inovação e defenderemos os valores de amizade, excelência e respeito. O futuro do Movimento Olímpico é brilhante, e mal posso esperar para começar! – disse Coventry.

Desde sua criação, em 1894, o COI teve presidentes homens, da Europa ou da América do Norte. Kirsty Coventry quebra essa escrita. Criador das Olimpíadas da era moderna, o francês Pierre de Coubertin foi o primeiro presidente do COI e comandou a entidade por 29 anos. O alemão Thomas Bach, que apoiou a eleição de Kirsty, está no cargo desde 2013 e terminará seu mandato em 23 de junho, quando será feita a transferência de cargo para a ex-nadadora.

– É um momento extraordinário. Quando eu era uma menina de nove anos de idade, não imaginava que eu estaria aqui um dia, conseguindo retribuir a esse movimento incrível. Não é apenas uma grande honra, como também é um lembrete do meu compromisso com todos vocês de liderar essa organização com muito orgulho e com os valores que espero deixar vocês confiantes da decisão que tomaram. Obrigado do fundo do meu coração. Agora temos muito trabalho juntos, e gostaria de agradecer aos candidatos. Foi uma campanha incrível. Isso nos tornou melhores e tornou nosso movimento mais forte. Eu sei, por todas as conversas que tive com cada um de vocês, o quão mais forte será o Movimento Olímpico quando voltarmos a ficar juntos e executarmos algumas das ideias que compartilhamos. Muito obrigado por este momento – disse Kirsty em seu discurso de agradecimento aos demais membros do COI.

Os outros seis candidatos foram Feisal Al Hussein (Jordânia), David Lappartient (França), Johan Eliasch (Suécia), Juan Antonio Samaranch (Espanha), Sebastian Coe (Reino Unido) e Morinari Watanabe (Japão). Coventry recebeu exatamente os 49 votos que precisava para vencer em primeiro turno. Samaranch foi o segundo colocado, com 28 votos. Coe ficou em terceiro, com oito votos. Os outros candidatos somados receberam 12 votos.
A sucessora de Thomas Bach tem o desafio de lidar com a instabilidade política do Governo Trump, nos Estados Unidos, país sede dos próximos Jogos, em Los Angeles, em 2028. Samaranch precisará de habilidades diplomáticas para proteger valores olímpicos como a neutralidade e inclusão universal. Outro tema também em discussão é a elegibilidade de atletas transgênero e a reintegração da Rússia.

Como foi a eleição para presidente do COI

Atualmente, a presidência do Comitê Olímpico Internacional é definida em eleição para um mandato de oito anos, com possibilidade máxima de 12 anos. O voto é secreto e 109 membros do COI podem fazer sua escolha para presidente, mas três membros se ausentaram da Sessão na Grécia – o argentino Gerardo Werthein, a chinesa Zhang Hong e o japonês Yasuhiro Yamashita. Além disso, Thomas Bach, por ser o atual presidente, só votaria em caso de empate.

Para ser eleito, um candidato precisa da maioria dos votos. Caso nenhum candidato tivesse recebido esse número de votos, o menos votado seria eliminado, e se iniciaria um novo turno de votação. Esse sistema seria repetido até que um candidato alcance mais de 50% do votos.

Como os compatriotas dos candidatos só podem votar quando o respectivo representante de seu país for eliminado do pleito, o primeiro turno em Pilos contou com 97 votos válidos. Coventry teve mais do que os 49 votos que precisava já no primeiro turno e foi eleita. Foi exatamente o que a campeã olímpica conseguiu. Thomas Bach fez o anúncio da vitória da ex-nadadora.

O Brasil teve dois representantes entre os votantes: Bernard Razjman, medalhista de prata no vôlei em 1984 e membro do COI desde 2013, e Andrew Parsons, atual presidente do Comitê Paralímpico Internacional.(GE).